terça-feira, 16 de maio de 2017

Chorar o Passado

Desabei, não sei bem porque
Pensei demais
Derramei o que estava preso
Escutei as vozes silenciosas
Duvidei do passado
Tentei entender
Desisti de segurar
Desabei sem pensar
Silêncio demais
Entender o que passou
Chorar o passado
Foi em vão?

domingo, 19 de março de 2017

Alma sonâmbula

Seu impávido jeito de olhar
alimenta minha intrepidez
Minha alma ousada, adormecida
Levanta, determinada ao
encontro, ainda sonâmbula quiçá,
do futuro, do desejo, do novo.


quarta-feira, 30 de março de 2016

Ao passo que se vaga

Ao passo que andamos,
alcançamos pouco a
pouco interrompemos
vivemos tempo verdadeiro.

Ao passo que se vaga,
entenda que nada
abriga em tua
vera vida amada.

Ao passo que se diga,
cura minha falta
solicita viés antiga
que se valha.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Despedida de casado

Daquele momento em diante ele se lembrou que a única pessoa que detinha o controle de sua vida era ele mesmo.
Depois de aprender com a dor, ele acordou e saiu para a rua ao encontro da liberdade.
Dançou sozinho, brincou com estranhos, entrou em seu bar preferido pela primeira vez e pediu uma tequila. Fez careta ao engolir. Pagou a dose e voltou para casa. 

Chorou até dormir.

sábado, 25 de abril de 2015

Solidão pode entrar

A solidão me persegue, longe de mim fugir desse momento. Quero que ela
invada minha alma e mostre os caminhos do meu eu desconhecido. A solidão notívaga, bateu, insone e sem mandar SMS, fugiu dos padrões contemporâneos, chegou sem ser chamada, sem avisar. Em meio as vontades que minha mente escondia no travesseiro, eu contorcia, meu corpo desconfortável na cama de solteiro rolava de um lado para o outro tentando entender os caminhos da vida. Assim ela chegou, silenciosa, imune e sensata. Solitude minha, que alimenta meu ser e faz possível o encontro daquele esquecido intimo e verdadeiro. Em meio a tantos pensamentos superficiais, preocupações e fantasias, você mantém sua conduta, me faz delirar e por alma a fora um pouco de mim. Foi um prazer tê-la mais uma vez, volte sempre.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Sossega, sossega

Me falta asfalto
andar nas calçadas
molhadas brilhantes
de chuva no chão.

Tantas professoras
tentaram impor
Gonçalves Dias
que tédio, antiquado.
tentei entender

Só nesta tarde
sábado e longe
fotografia alheia
fez a ficha cair.

Conforto no exílio
não deixar esquecer
os problemas da minha
terra me chama para lá.

Ah ser humano
satisfeito jamais está.
Sossega, sossega,
pra que tantos lugares?
Onde vai alma aquetar?

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Los Hermanos no Alivio da Dor

Um coração machucado encontra acalento nas letras e melodia de Los Hermanos, eu sei. Já testei. "Canta que é de canto que eu vou chegar, canta e toca um tanto que é pra me encontrar, canta para mim qualquer coisa assim sobre você."Casa Pré-fabricada por exemplo espreme o coração, faz sair toda a dor, lágrima e sangue da ferida. Te faz lembrar que há amor, mesmo que o mesmo tenha fugido de ti, te faz criar esperança de criar um novo sentimento, assim tão lindo e puro quanto estas canções.

domingo, 20 de julho de 2014

Desvio de atenção

Os domingos de manhã sempre foram meus preferidos para a leitura, não importa o tema, gosto de pegar um livro e começar a ler. Hoje acordei tarde, às dez, infelizmente. Antes adorava levantar tarde, hoje acho perda de tempo. Isso deve ser mania de adulto. Pois bem, não terei mais o prazer de ler de manhã, terei que me contentar com a leitura após o meio dia. Sou daqueles que começo vários livros e termino poucos, pra ser sincero. Um dias desses li num blog que os japoneses tem uma palavra específica para este tipo de pessoa que compra livros e começa a lê-los, mas não os termina. Tsundoku é a palavra. Não chego a ser essa pessoa, sobretudo por não comprar muitos livros, geralmente os ganho ou pego emprestado da biblioteca. Mesmo que as vezes não os devolva, mas um dia os devolverei. Principalmente os dois da Clarice Lispector que emprestei três anos atrás da Biblioteca Alceu Amoroso Lima, esquina da Cardeal Arcoverde com Henrique Schaumann. "Cidade Sitiada" e "Aprendendo a Viver." Estes li inteiro, pois amo Clarice.

Em fim, hoje especialmente me peguei lendo um de João Almino,  "As Cinco Estações do Amor." Um romance que se passa em Brasília, cheio de política e estilo. Estou na metade, tenho lido cinquenta páginas por domingo, ganhei de uma grande amiga russa, que fala português, dentre outros idiomas. Irene foi um acontecimento, amor a primeira vista. Desde o primeiro dia ela me chamou atenção com seu jeito irreverente de se vestir e seus assuntos interessantes. Linda, cheia de vida e cultura. Cabelão grande e escuro, pele branca como a neve de sua terra natal, sempre com sombra colorida no olho, gosta muito de verde. Com Irene posso conversar sobre tudo, ela entende de tudo, principalmente de arte e música. Quer dizer, não se conversa sobre notícias e programas de TV, Irene faz questão de não ter TV em casa. Admiro ela por isso também.

Enquanto leio as palavras de João Almino ao descrever a saga de sua personagem principal, Diana, tenho aqueles calafrios que me dão toda vez que ideas e lembranças me vem à cabeça. Lembro de José Arrabal, escritor que conheci em São Paulo, também lembro que comecei a ler seu livro "Stalin", mas nunca terminei. Este foi ganhado, só para constar. Deve estar guardado na casa dos meus pais junto com tantas outras coisas. Era curioso conversar com Arrabal, cheio de vida e de ideias também. Leu alguns de meus ensaios e me incentivou a largar a publicidade e começar a escrever, disse que eu tinha talento. Não dei ouvidos, porém começo a revisitar seu conselho.

Tenho muitas ideias enquanto leio, muitas mesmo por sinal. Tantas que quase não consigo controla-las e por vezes elas nem saem da minha cabeça. Quero escrever, mas não quero parar de ler, quero saber o que vai acontecer, quero acabar de vez com o livro. Quero tantas coisas ao mesmo tempo. Meus pés esticados na mesinha de centro da sala sentem a vibração do celular que está sobre outros livros. Ignoro, preciso desse momento longe de tecnologia, preciso de papel e palavras novas escritas por gente estranha. Aprendo algumas, tipo chauvinismo. Já tinha escutado esta antes, mas nunca parei para ler seu significado, deriva do Francês Nicolas Chauvin, soldado de Napoleão Bonaparte, e significa patriotismo exagerado. Fonte: Wikipédia e Dicionário Michaelis.

Entre outras palavras e sentimentos, tento me concentrar na leitura. Enquanto leio penso em parar de ler para anotar palavras, desisto no mesmo segundo, penso novamente em parar para ver quem chama no celular, resisto. Aposto ser nada importante. Talvez é algum grupo do Whatsapp, com pessoas importantes que me inspiram muitas vezes, mas que podem esperar, é longe de ser urgente. Viro a página, quero novamente parar para começar a escrever este texto, coloco como meta mais dez páginas, sigo em frente, e paro quando me deparo com chauvinismo. Quero contar em palavras sobre como meu pé sentiu o celular tremer e quase desviou minha atenção, quero discorrer sobre como estamos mais sensíveis a cada dia que passa com tanta informação, quero falar que anos atrás peguei livros emprestados, nunca os devolvi, mas que desejo devolvê-los, e principalmente quero dizer que a manhã de domingo já virou tarde e preciso decidir se vou ao cinema assistir mais um filme de Hollywood ou se permaneço em casa germinando ideias e desviando minha atenção.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Frutas chatas


Hoje eu acordei com tanta fome que me deu até dor de cabeça. Então fiz dois pães de forma na torradeira, enquanto o pão esquentava, coloquei o café, que já estava gelado, por um minuto no micro-ondas. Acrescentei um creme no café, aqui em Chicago eles fazem muito isso, e acabei pegando essa mania do creme, na verdade eu troco o açúcar por ele. Não sei se é mais saudável, mas é mais gostoso.Pois bem, no pão quente passei maionese e acrescentei uma fatia de mozarela e outra de rosbife, peguei meu prato, minha caneca e fui até a mesa.

No caminho uma banana me encarou pedindo para que eu a levasse, evitei. Café com banana não combina no meu estômago. Após terminar de comer minha dor de cabeça havia passado, mas a banana continuava a chamar atenção, ainda não era hora.

Fui tomar banho. Já no chuveiro, comecei a lembrar da minha infância e de como era meu relacionamento com as frutas. Foi aí que resolvi escrever este texto do jeito como Clarice me ensinou, deixando as palavras fluir e conversando com o leitor, mas isso é outra história, tudo bem?

As bananas por exemplo, eu gostava com mais frequência, comia quase todos os dias, mas eu sempre dava um jeito de acrescentar leite condensado, sempre que tinha em casa. Gostava de pensar que ela ficava menos chata daquele jeito, e muito mais prazerosa também. Era sinônimo de sobremesa sofisticada pro meu paladar. Criança deve ter parentesco com formiga pra gostar tanto assim de doce, só pode.

Com as laranjas acontecia totalmente ao contrario, meu amigo Josi e eu adorávamos colocar sal na coitada da laranja, é isso mesmo: sal! Dava um gosto especial para aquela fruta, tirava sua chatice, que era ou naturalmente doce ou estranhamente amarga. Quando chupávamos a laranja com sal nos dava uns tremeliques, uns arrepios e ficávamos felizes naqueles poucos minutos. A vó do Josi não entendia o porque fazíamos aquilo, mas deixava, como é de costume das vós, deixar. E assim fomos descobrindo desde pequenos que era possível mudar o gosto da vida. De amargo para azedo, de azedo ou doce para especial.

As goiabas eram sim as especiais e minhas preferidas, ainda hoje é, só não cruzo tanto com elas. Gostava de come-las puras, recém tiradas do pé que havia no meu quintal. Que tristeza cortar aquele pé de goiaba para fazer uma garagem para dois carros. No fim, se colocam dois carros naquela garagem fica muito apertado. Preferiria a goiabeira em seu devido lugar, com certeza.

Melancia, melões e mamão nunca foram a minha praia, a não ser que minha mãe fizesse uma salada de frutas com suco de laranja e leite condensado. Era de praxe aos domingos se tivéssemos ido à feira aos sábados de manhã. Ela poderia colocar todas as frutas que houvesse na fruteira, não ligaria. Ali naquela tigela todas elas se tornavam especiais, e a chatice que existiam desapareciam. Comia satisfeito aquela salada lindamente colorida.

Hoje em dia tenho prazer em colocar uma fruta na boca ainda pura e testar meu paladar, qualquer uma, pois sou forte. Ainda reclamo internamente, mas dessa vez o motivo é outro. Aqui as frutas não tem o mesmo gosto que tem no Brasil, as frutas da casa da minha mãe são mais saborosas, mesmo puras-chatas. Não sei se o gosto das frutas americanas é uma desculpa para usar leite condensado sem culpa, se realmente são menos suculentas, ou se minha infância que é doce. Talvez elas sejam mais chatas que as brasileiras mesmo, não sei. O bem da verdade é que não ligo, pois hoje me contento com as frutas do jeito que elas vieram ao mundo e as prateleiras, puras. Me contento pois me faz sentir o gostinho da primeira vez, é interessante como cada fruta tem seu gosto peculiar, digo cada fruta colhida e não cada tipo de fruta. Uma dúzia de maças te proporcionarão doze sensações diferentes, é batata! Algumas chatas outras nem tanto, é verdade.

Entendo agora no final deste texto que só as chamo de chatas hoje para lembrar do tempo bom de infância, quando criar novas formas de gostar delas era natural. Bom, agora chega dessa conversa que a banana está lá me esperando.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Vida depois do banho

Eu estou tão exausto de tentar. Era um sonho estranho. Acordo cansado, e mesmo assim desperto vivo para um novo dia. Tomo um banho e tudo começa outra vez. Limpo e renovado. Mais um dia, do novo e do mesmo. Me empolgo, tomo café.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Sem ar

Acordei cansado, sem ar, após me revirar a noite toda. Era domingo de manhã e não parava de pensar no encontro, a aparência era de preocupar depois de uma noite de insônia. Levantei aos gritos do interfone, era de se imaginar o Sandro, ele insistia em me despertar. Trouxe uma encomenda, mas me fingi de "dormindo", não queria conversar.