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domingo, 19 de março de 2017

Alma sonâmbula

Seu impávido jeito de olhar
alimenta minha intrepidez
Minha alma ousada, adormecida
Levanta, determinada ao
encontro, ainda sonâmbula quiçá,
do futuro, do desejo, do novo.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Sossega, sossega

Me falta asfalto
andar nas calçadas
molhadas brilhantes
de chuva no chão.

Tantas professoras
tentaram impor
Gonçalves Dias
que tédio, antiquado.
tentei entender

Só nesta tarde
sábado e longe
fotografia alheia
fez a ficha cair.

Conforto no exílio
não deixar esquecer
os problemas da minha
terra me chama para lá.

Ah ser humano
satisfeito jamais está.
Sossega, sossega,
pra que tantos lugares?
Onde vai alma aquetar?

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Engolir o choro

Engoli o choro,
doeu a garganta,
ao brotar saudade,
verti esperança.

Escondi cada lágrima,
mascarei com sorriso
a verdade farta
do calor que preciso.

Refleti calmamente,
segurei o soluço,
esvaeci o absurdo,
transformei-o plenamente.



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O que ficou de você

Aqui tá sol
mas venta gelado
em seu coração.

Na chuva
posso investir na
saudade do seu beijo.

Quando escurecer
o céu me lembrará
como era ter você aqui.


sábado, 24 de novembro de 2012

Por vezes

Uma certa madrugada
Desejei cerradamente
Perceber a alma inchada
Entendi erroneamente
Por vezes quis estar
Correto estive
E firmando vivi
O que há a pensar
Pedi aleatoriamente
Uma sorte desencontrada
Foi aí infelizmente
A certeza me encontrava.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Acontece no verão

Andou na nuvem
flutuou paixão
vibrou barriga
aconteceu tesão.

Sentou do lado
pegou na mão
beijo no lábio
virou canção.

Deitou feliz
acordou legal
faltou atino
sentiu tremer.

Inquietou aquilo
fez libido
sentiu vivido
deixou esquecer.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Sobre conhecer pessoas

Pontadas
conhecer pessoas,

passadas
viajar no tempo,

traçadas
realizar desejos

fechadas,
controlar fomento

olhadas,
aceitar convites,

cantadas,
começar a fala,

risadas,
ser verdadeiro

parada
de todo o tempo.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

#poesiadeasfalto Tapearam o buraco

Taparam o buraco
para me tapear
tenha paciência
já vamos jogar.

Tapearam o buraco
que cai esses dias
lembra de ontem
irritou toda vida.

Taparam o buraco
e surgiu outro ali,
parece piada
bem onde vivi.

E para tapá-lo,
baste tapear,
uma tolice errônea
de querer se vingar.

Pra que serve buracos
se não for pra amar
mais que descaso
deixa pra lá e
vamos almoçar.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

#poesiadeasfalto Molhada

Ela corre desesperada
para baixo do toldo
espera calada
observa o povo.

Essa chuva não passa,
monotonia sem graça
tanta gente e ela ali,
sem saber onde ir.

De repente um esboço de amor
um rosto amigo, suspirou
a espera cessou, seu olhar brilhou.

Enquanto imóvel se fez notar,
mas ele buscava se safar
dessa chuva agressiva, que só faz molhar.

Ela já não sentia as gotas,
só buscava coragem para um olá,
mas um automóvel chegou,
e levou seu amor.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Arte no metrô #poesiadeasfalto

Olha aí quanto barulho
coloriram o ruído,
taparam o buraco velho
criou-se rachadura nova.

Fizeram arte no metrô,
quase não prestei atenção,
passei correndo, entrei voando,
mas ali tem cores novas.

Tentativa de quê?
burocracia e TV,
ali tem coisas mortas,
objetos sem vida.

Há catracas no metrô
descaracterizadas, bloqueios,
enchiquetaram o metrô,
barraram um doido ali.

Fizeram um mosaico
alguém entendeu?
só vi cores quando andei,
na próxima vez é meu.

Pagaram a passagem
e não viram a arte,
olha ali de novo,
barraram outro doido.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

#poesiadeasfalto Muros

Aquele muro tá pichado,
aquele outro desenhado
tem uma mureta ali branquinha
e uma outra bem fininha.

Propaganda de eleição,
lambe-lambe de funk
um protesto enrustido
e tinta escorrida.

Muros altos e quebrados,
alguns lisos ou enfeitados
é dolorosa a sensação
de prender e isolação.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

#poesiadeasfalto Faixa branca

Parei na calçada,
em frente as faixas
olhei para os lados
prossegui caminhada

Pisei na primeira
senti sua textura
sem parar travessia
um pouco macia.

De todas as faixas,
uma ascendia
a da ponta era opaca
de fato sumia.

Já fora pisada
por vezes usada
por pneus e peles,
sua história contava.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

#poesiadeasfalto Fundo do bueiro

Chegou o dia e eu
tava ali com os carros
sentado no meio fio
com a saudade do seu salto.

Passei a noite na calçada
beijei onde você passa
percorri a avenida
me calei no cruzamento.

Procurei no fundo bueiro
achei um fedor imenso
me perdi por inteiro
acompanhei a sirene tenso.

chorei na chuva, me lavei
ao entardecer na rua
percebi céus arranhados
sorrisos espelhados
um sol descoberto pelas nuvens.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sem um, o outro até o fim.

Sem fome você bebe
Sem sede você fala
Sem fala você pensa
Sem mente você dorme
Sem sono você escrevre
Sem palavras você dança
Sem swing você espanta
Sem companhia você padece
Sem vida acontece o fim.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Tome tento tanto

Você me fala coisas
eu prefiro distrair
tento entender
é melhor eu caminhar
tome amigo, diz agora
pensa que engana
escuta esta manobra
ao longo da semana
uma ou duas vezes
tanto sei que quer
parar de querer
quanto a isso
tudo bem tome
tento ser tanto
entendido tento
estar comigo tanto.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Nem um gole

O tempo rasteja
nem um gole de cerveja
O tempo escorre
nem um gole de maria mole
O tempo esvai
nem um gole me atrai
O tempo pula
uma ideia me figura
O tempo voa
uma dose me entoa
O tempo foge
uma atitude me sacode.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Deram cor à imprensa

Deram cor à imprensa,
mas sou eu que,
encho a dispensa,
com suor enganado,
fatos abordados,
e trajes passados.

Mentira minha,
eu sempre perco a linha,
movendo os filtros,
decifro as entrelinhas,
e quando penso nos frutos,
você troca em miúdos,
distorcendo tudo.

Se a cor é marron,
sei lá, se isso é bom,
a coisa pode ficar preta
o que me interessa
é cantar um blues,
e viver no set a certeza,
de que o certo é real.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Vem vem vem

Sente aqui, deixa eu falar
antes que venha procurar
pedir promessa, sem jurar.

Escute aqui meu bem
Não se prende ninguém
Vem aprender um bem
Em busca de um alguém.

Pare disso, deixe estar
parece bom, vem abraçar
esse amor vai lhe curar.

Escute aqui, veja meu bem
Vê se aprende esse trem
Vem depressa vem vem vem
Buscar um colo no seu bem.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Essa ilusão morna

Essa ilusão morna
contorna cada verso
perverte cada gesto
de insosa ficou gorda.

Lança chama de poção
enfeitiça minha boca
para deitar minha força
apronta tudo sem noção.

Junta tudo e joga fora
joga tudo do lado de fora
ou olhe o que resta
presta atenção, há quem presta.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

É melhor...

Melhor acreditar no sempre para sua vida ser mais feliz, pensar no fim é perda de tempo, a não ser que você esteja escrevendo uma ficção.
Melhor escutar sua mãe, quando ela faz recomendações par ao bem da sua saúde, pensar que ela está contra você, é perda de tempo, é mentir pra si mesmo.
Melhor tomar um suco de limão as vezes, faz bem para o corpo, pensar que os hambúrgueres jamais te farão mal é perda de tempo, é tentar enganar sua saúde.
Melhor escutar seu chefe quando ele está nervoso, motivos ele deve ter, pensar que nunca está errado é perda de tempo, invista seu tempo em assumir e a perceber onde pode melhorar.
Melhor parar um tempo para olhar o céu, pensar que isso é perda de tempo é perda de tempo, o céu é o que chamamos de limite, só que ilimitado, nos faz pensar com mais amplitude, sonhar mais alto.