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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

O prazer e a dor da rotina

Me peguei pensando em você, sem mais nem menos. Agora lembro, foi um sinal na rua que me fez lembrar de você. Ando tão esquecido dos meus pensamentos, só lembro de trabalho e me dedico a rotina. Quando você aparece, as coisas ficam mais intimas, me lembro de quem eu sou. Sabe, a rotina é prazeirosa, mas dói. Prazer e dor, combinam? Há quem diga que sim. Quando a Elis canta o Canto de Ossanha, ela afirma que "amor é bom se doer". Ela só pode estar certa. Ela é Elis. Mas que tipo de dor é essa? Dor na alma? Mental? Física? A dor que sinto enquanto estou imerso no prazer da rotina. É a dor de me esconder enquanto estou acomodado. A dor de me silenciar enquanto concedo. A dor de permitir quando discordo. Bom, chega de ser permissivo. Deixa eu esquecer e voltar para a rotina, prazeirosa e dolorosa.

domingo, 20 de julho de 2014

Desvio de atenção

Os domingos de manhã sempre foram meus preferidos para a leitura, não importa o tema, gosto de pegar um livro e começar a ler. Hoje acordei tarde, às dez, infelizmente. Antes adorava levantar tarde, hoje acho perda de tempo. Isso deve ser mania de adulto. Pois bem, não terei mais o prazer de ler de manhã, terei que me contentar com a leitura após o meio dia. Sou daqueles que começo vários livros e termino poucos, pra ser sincero. Um dias desses li num blog que os japoneses tem uma palavra específica para este tipo de pessoa que compra livros e começa a lê-los, mas não os termina. Tsundoku é a palavra. Não chego a ser essa pessoa, sobretudo por não comprar muitos livros, geralmente os ganho ou pego emprestado da biblioteca. Mesmo que as vezes não os devolva, mas um dia os devolverei. Principalmente os dois da Clarice Lispector que emprestei três anos atrás da Biblioteca Alceu Amoroso Lima, esquina da Cardeal Arcoverde com Henrique Schaumann. "Cidade Sitiada" e "Aprendendo a Viver." Estes li inteiro, pois amo Clarice.

Em fim, hoje especialmente me peguei lendo um de João Almino,  "As Cinco Estações do Amor." Um romance que se passa em Brasília, cheio de política e estilo. Estou na metade, tenho lido cinquenta páginas por domingo, ganhei de uma grande amiga russa, que fala português, dentre outros idiomas. Irene foi um acontecimento, amor a primeira vista. Desde o primeiro dia ela me chamou atenção com seu jeito irreverente de se vestir e seus assuntos interessantes. Linda, cheia de vida e cultura. Cabelão grande e escuro, pele branca como a neve de sua terra natal, sempre com sombra colorida no olho, gosta muito de verde. Com Irene posso conversar sobre tudo, ela entende de tudo, principalmente de arte e música. Quer dizer, não se conversa sobre notícias e programas de TV, Irene faz questão de não ter TV em casa. Admiro ela por isso também.

Enquanto leio as palavras de João Almino ao descrever a saga de sua personagem principal, Diana, tenho aqueles calafrios que me dão toda vez que ideas e lembranças me vem à cabeça. Lembro de José Arrabal, escritor que conheci em São Paulo, também lembro que comecei a ler seu livro "Stalin", mas nunca terminei. Este foi ganhado, só para constar. Deve estar guardado na casa dos meus pais junto com tantas outras coisas. Era curioso conversar com Arrabal, cheio de vida e de ideias também. Leu alguns de meus ensaios e me incentivou a largar a publicidade e começar a escrever, disse que eu tinha talento. Não dei ouvidos, porém começo a revisitar seu conselho.

Tenho muitas ideias enquanto leio, muitas mesmo por sinal. Tantas que quase não consigo controla-las e por vezes elas nem saem da minha cabeça. Quero escrever, mas não quero parar de ler, quero saber o que vai acontecer, quero acabar de vez com o livro. Quero tantas coisas ao mesmo tempo. Meus pés esticados na mesinha de centro da sala sentem a vibração do celular que está sobre outros livros. Ignoro, preciso desse momento longe de tecnologia, preciso de papel e palavras novas escritas por gente estranha. Aprendo algumas, tipo chauvinismo. Já tinha escutado esta antes, mas nunca parei para ler seu significado, deriva do Francês Nicolas Chauvin, soldado de Napoleão Bonaparte, e significa patriotismo exagerado. Fonte: Wikipédia e Dicionário Michaelis.

Entre outras palavras e sentimentos, tento me concentrar na leitura. Enquanto leio penso em parar de ler para anotar palavras, desisto no mesmo segundo, penso novamente em parar para ver quem chama no celular, resisto. Aposto ser nada importante. Talvez é algum grupo do Whatsapp, com pessoas importantes que me inspiram muitas vezes, mas que podem esperar, é longe de ser urgente. Viro a página, quero novamente parar para começar a escrever este texto, coloco como meta mais dez páginas, sigo em frente, e paro quando me deparo com chauvinismo. Quero contar em palavras sobre como meu pé sentiu o celular tremer e quase desviou minha atenção, quero discorrer sobre como estamos mais sensíveis a cada dia que passa com tanta informação, quero falar que anos atrás peguei livros emprestados, nunca os devolvi, mas que desejo devolvê-los, e principalmente quero dizer que a manhã de domingo já virou tarde e preciso decidir se vou ao cinema assistir mais um filme de Hollywood ou se permaneço em casa germinando ideias e desviando minha atenção.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Frutas chatas


Hoje eu acordei com tanta fome que me deu até dor de cabeça. Então fiz dois pães de forma na torradeira, enquanto o pão esquentava, coloquei o café, que já estava gelado, por um minuto no micro-ondas. Acrescentei um creme no café, aqui em Chicago eles fazem muito isso, e acabei pegando essa mania do creme, na verdade eu troco o açúcar por ele. Não sei se é mais saudável, mas é mais gostoso.Pois bem, no pão quente passei maionese e acrescentei uma fatia de mozarela e outra de rosbife, peguei meu prato, minha caneca e fui até a mesa.

No caminho uma banana me encarou pedindo para que eu a levasse, evitei. Café com banana não combina no meu estômago. Após terminar de comer minha dor de cabeça havia passado, mas a banana continuava a chamar atenção, ainda não era hora.

Fui tomar banho. Já no chuveiro, comecei a lembrar da minha infância e de como era meu relacionamento com as frutas. Foi aí que resolvi escrever este texto do jeito como Clarice me ensinou, deixando as palavras fluir e conversando com o leitor, mas isso é outra história, tudo bem?

As bananas por exemplo, eu gostava com mais frequência, comia quase todos os dias, mas eu sempre dava um jeito de acrescentar leite condensado, sempre que tinha em casa. Gostava de pensar que ela ficava menos chata daquele jeito, e muito mais prazerosa também. Era sinônimo de sobremesa sofisticada pro meu paladar. Criança deve ter parentesco com formiga pra gostar tanto assim de doce, só pode.

Com as laranjas acontecia totalmente ao contrario, meu amigo Josi e eu adorávamos colocar sal na coitada da laranja, é isso mesmo: sal! Dava um gosto especial para aquela fruta, tirava sua chatice, que era ou naturalmente doce ou estranhamente amarga. Quando chupávamos a laranja com sal nos dava uns tremeliques, uns arrepios e ficávamos felizes naqueles poucos minutos. A vó do Josi não entendia o porque fazíamos aquilo, mas deixava, como é de costume das vós, deixar. E assim fomos descobrindo desde pequenos que era possível mudar o gosto da vida. De amargo para azedo, de azedo ou doce para especial.

As goiabas eram sim as especiais e minhas preferidas, ainda hoje é, só não cruzo tanto com elas. Gostava de come-las puras, recém tiradas do pé que havia no meu quintal. Que tristeza cortar aquele pé de goiaba para fazer uma garagem para dois carros. No fim, se colocam dois carros naquela garagem fica muito apertado. Preferiria a goiabeira em seu devido lugar, com certeza.

Melancia, melões e mamão nunca foram a minha praia, a não ser que minha mãe fizesse uma salada de frutas com suco de laranja e leite condensado. Era de praxe aos domingos se tivéssemos ido à feira aos sábados de manhã. Ela poderia colocar todas as frutas que houvesse na fruteira, não ligaria. Ali naquela tigela todas elas se tornavam especiais, e a chatice que existiam desapareciam. Comia satisfeito aquela salada lindamente colorida.

Hoje em dia tenho prazer em colocar uma fruta na boca ainda pura e testar meu paladar, qualquer uma, pois sou forte. Ainda reclamo internamente, mas dessa vez o motivo é outro. Aqui as frutas não tem o mesmo gosto que tem no Brasil, as frutas da casa da minha mãe são mais saborosas, mesmo puras-chatas. Não sei se o gosto das frutas americanas é uma desculpa para usar leite condensado sem culpa, se realmente são menos suculentas, ou se minha infância que é doce. Talvez elas sejam mais chatas que as brasileiras mesmo, não sei. O bem da verdade é que não ligo, pois hoje me contento com as frutas do jeito que elas vieram ao mundo e as prateleiras, puras. Me contento pois me faz sentir o gostinho da primeira vez, é interessante como cada fruta tem seu gosto peculiar, digo cada fruta colhida e não cada tipo de fruta. Uma dúzia de maças te proporcionarão doze sensações diferentes, é batata! Algumas chatas outras nem tanto, é verdade.

Entendo agora no final deste texto que só as chamo de chatas hoje para lembrar do tempo bom de infância, quando criar novas formas de gostar delas era natural. Bom, agora chega dessa conversa que a banana está lá me esperando.

sábado, 4 de maio de 2013

Domingo de manhã

Lembra há 20 anos atrás quando você sentia um frio na barriga pois ia ver o Ayrton correr no domingo? E você e/ou seu pai acordavam
super cedo, tratavam aquela manhã como uma cerimônia sagrada. Talvez a sua casa cheirava a café fresco, recém passado, coma a minha. E para acompanhar tinha pão de queijo, que junto do café preto tem um gosto bom indescritível. Vibrávamos como se estivéssemos ficando milionários a cada ultrapassagem. E se o Brasil ganhava, era felicidade para a semana inteira. Senti saudades disso hoje.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Capitalista Sensível


Acordei ansioso, estava louco para o meu primeiro encontro com ela. Pulei da cama, tomei banho e vesti meu terno Colombo. Dirijo meu Fusca até a perfumaria para comprar um presente para ela. Chanel, Carolina ou Dolce? Escolhi a Carolina. A floricultura estava logo ali do outro lado da rua, compro rosas ou camélias? A atendente me oferece uma rosa especial vinda da Venezuela, linda, mas 5 vezes mais cara que a comum. Vou de Camélia. Penso comigo mesmo - Devo comprar Bombons? Melhor não, incentivo ela a cuidar do corpo. Tudo pronto. Vou encontra-la naquele café da avenida Goiás, depois podemos ir ao cinema quem sabe, tudo depende.
Que trânsito horrível é esse? Essa Veraneio na minha frente não me deixa enxergar nada. Ah, não! Vou chegar atrasado.
Mas o que é isso? Quanta gente! "PELA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO" - Leio um cartaz. Ah, não! Greve de novo não. Eu vou ficar preso por horas nessa via e ela vai ficar me esperando à toa. Deixo o carro do jeito que parei e me enfio no meio da multidão protestante. Com as camélias rosadas em uma mão e perfume na outra. Ei, cuidado com as flores, grito para um. O outro esbarra no meu braço, deixo cair o pacote com o perfume, por sorte não quebrou, só amassou um pouco o papel de presente. Andamos um passo por segundo. Está super apertado, até parece carnaval. "PELO AUMENTO DO SALÁRIO DO METALÚRGICO" - Escuto uma voz rouca falando no microfone. Olho no relógio, já estou 40 minutos atrasado. Espero que ela esteja me esperando. Chego no Franz Café, em vão. O lugar estava fechado, o dono devia estar com medo da multidão. Paro por um momento cansado e desolado em frente a porta de vidro. Respiro fundo e tento me olhar pelo vidro, de repente vejo ela pelo reflexo, em meio a multidão, gritando e protestando. Vou atrás, e como se estivesse em câmera lenta me desvio das pessoas. Vou ao seu encontro, toco em seu ombro. Ela se vira e se depara comigo suado, descabelado, com um pacote amassado e as camélias. Ela se impressiona e se envergonha ao mesmo tempo. Havia esquecido do encontro marcado comigo. Mas agora não faz mau, ela aceitou os presentes e agradeceu com um beijo. Depois nós dois juntos continuamos a caminhada rumo ao palanque.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Nunca ouvi falar e agora vejo todo dia

É louco perceber como as coisas aparecem na nossa vida, eu quero dizer, como ficamos sabendo, como conhecemos coisas, pessoas, lugares. Essa é a história do nunca ouvi falar e agora vejo todo dia. É como acordar. É como perceber que não somos mais crianças.Um belo dia você acorda cedo de manhã com os olhos inchados, é obrigado a levantar-se e se dá conta que você foi uma criança, essa nostalgia começa a aparecer quando nos damos conta de que não tínhamos tantas responsabilidades, coisa que nunca ouvi falar quando era criança agora ouço todo dia.Um outro belo dia você percebe que está num lugar que você somente ouviu falar, ou só ouve falar de um lugar que você nunca ouviu falar. Isso aconteceu comigo uma vez, nunca ouvi falar de uma cidade chamada Guararema, no estado de São Paulo, e em um dia sortido conheci uma pessoa de lá por acaso na saída da balada. Um rapaz bonito, semi-interessante, pra não dizer só bonito. Foi então que no meio da conversa, perguntei onde ele morava, normal em qualquer lugar do mundo ter essa curiosidade, dessa forma você fica sabendo muita da vida da pessoa. "Eu moro em Guararema" - Ele disse. Na hora eu rebati: onde fica "isso"? (Isso!? Sim eu falei assim, eu chamei a cidade do menino de isso. Como eu fui indelicado) Ele falou, perto de Perus, (Do que ele tá falando? - Eu pensei, nem parecia que estávamos na mesma cidade.) Ele explicou através das linhas do trem, dessa forma consegui entender mais ou menos. A conversa com ele se resumiu em me localizar onde ele morava. Depois disso ele foi para um lado e eu fui para o outro, nunca mais vi esse menino. Mas ele marcou a minha vida com a palavra Guararema. Anos mais tarde ouvi muito sobre essa cidade, vi em telejornais, li em revistas, e até o pai de uma amiga sofreu um acidente fatal na maldita Guararema, infelizmente. O que tudo isso quer dizer? Se um belo dia eu conhecer alguém que me disser que mora em uma cidade que eu nunca ouvi falar alguém vai morrer? Não. Espero que não. Isso tudo é só para ilustrar o quanto a vida é engraçada, o esforço que o universo faz para te apresentar algo. Uma palavra que você não sabia que existia aparece na sua frente diversas vezes, uma pessoa que você nunca viu no seu bairro de repente cruza com você todos os dias, ou aquela música antiga que você nem sabia que existia, começa a tocar sempre que você vai em algum lugar. A vida nos mostra novas coisas todos os dias, basta a gente querer percebe-las para incorpora-las.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O cara é casado

O cara é casado e de meia idade, vê fotos de mulheres lindas e mais jovens a quase todo momento, sabe falar bem de como são gostosas, parece sentir uma nostalgia nisso, parece desejar o proibido. Não que de fato seja proibido, é somente imoral. Não é de bom costume trair a esposa com jovens lindas, não pega bem. O problema está em se ocupar com isso, parece alimentar uma vontade, que uma hora ou outra terá de ser sanada para não ficar insano. Mas e o matrimônio como fica? Não fica, se vai. Pelo ralo sagrado. O santificado casamento representou só uma momentânea loucura do amor. Aquela certeza do sempre, que como sempre vira rotina, e o cotidiano é um ser difícil, precisar estar muito bem equilibrado, e decidido para ser parte de uma rotina. Ser feliz é ser novo, os jovens são inexperientes, eu digo de ser maduro e novo, pensar pelo avesso, andar em zig zag ou em linha reta se o seu normal é pra lá e pra cá. Olha, só sei que o cara é casado e de meia idade, é gente boa, mas vê mulheres lindas, gostosas e jovens a toda hora. Que mal há nisso? Eu não sei, só sei que se eu fosse sua esposa, se a história fosse comigo, sentiria ciúmes do desejo dele e tentaria entender onde é que não o preencho, onde fujo dos seus pensamentos, como faço para mudar tudo, ser melhor pra nós dois e ser diferente.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A vendedora de enciclopédias

Hoje eu lembrei de uma pessoa que vi uma única vez na vida, numa tarde perdida nos anos noventa, uma vendedora de enciclopédias, vendia porta-a-porta, acho que o nome dela era Elisângela ou Rosângela, algo assim com angela no final, tinha o cabelo loiro escuro quase castanho claro, na altura do queixo, sua altura era a mesma da minha mãe, um metro e meio mais ou menos, dentes perfeitos, sorria bastante, era muito simpática a tal de Ângela, estava de calça jeans.
Eu tinha uns dez anos no dia que ela bateu na porta de casa, minha mãe retribuindo os sorrisos convidou a moça para entrar, tomar uma água e explicar mais sobre o seu produto. Tinha panela no fogo. Era hora do almoço, a panela de pressão chiava no fogão, o cheirinho de comida fresca se espalhava pela casa, prendemos o cachorro, minha irmã e eu sentamos na mesa com pose de gente grande, refletindo que aquele assunto muito nos interessava, foi aí que a moça desatou a falar da coleção, da enciclopédia, com mais de vinte livros. Vinte e cinco livros!
Eu lembro que prendi os olhos naquela mulher, igual criança descobrindo pornografia, ela tinha um carisma de artista, uma bondade com as palavras, e falava tão apaixonada por aqueles livros, os vendia como se adquiri-los fosse um ato para o bem da humanidade.
Foi questão de dez minutos pra gente começar a fazer olhinhos de quero muito, pedindo pra minha mãe comprar. A moça já estava chegando na parte dos valores quando minha mãe, muito delicada e sensível, convidou Ângela pra almoçar e a ligeira aceitou de primeira, o assunto deu uma pausa ali. Ângela comeu satisfeita elogiando muito a comida, minha mãe que odeia qualquer elogio, logo se derreteu pela vendedora. Que esperta essa Ângela.
Depois do almoço, partimos para os finalmente. Bom, elas partiram, eu só tinha dez anos. Valores, formas de pagamento. Parcela? Sim, claro, como não. Fechado? Fechado. Minha mãe assinou uns papeis amarelos lá, que depois eu fiquei sabendo que eram notas promissórias. Foi a única vez também que eu me lembro de ter visto nota promissória em uso. Ficamos a tarde toda com a Ângela, lembro que ela até jogou videogame, um Atari 2600, eu tinha os jogos Enduro e o RiverRide naquela época, era um tesão jogar, descobrir novas fases.
Uma perua passou pra deixar os livros, pegar a Ângela e as promissórias. Ela entrou na kombi dando tchau pra gente e conversando com o pessoal de dentro do carro, tudo ao mesmo tempo, mas atenciosa com todo mundo. ela foi embora feliz da vida, deixou saudades aquela danada, que boa pessoa a Ângela. Lá se foi ela, dobrando a esquina. Perguntamos pela Ângela pra minha mãe uns dias seguidos. Como se elas tivessem virado amigas. Que ingenuidade.
Os livros da simpática vendedora de enciclopédias foram a sensação dos trabalhos escolares, a bibliografia ficara mais rica, qualquer dúvida era pra lá que corríamos, isso por alguns anos, porque depois o livro começou a parecer menos interessante, aquela coleção que havíamos comprado estava menos confortável de usar, menos chamativa, menos carismática que Ângela, que nos vendeu. O que é normal nos editoriais.
Criança adora um show, um mimo, e foi exatamente isso que aconteceu, aquele dia Ângela nos fez ficar encantados pelos livros através dos sorrisos, e me fez lembrá-la hoje no futuro. Será que esses livros existem ainda? Vou procurá-los, ainda bem que você apareceu vendedora de enciclopédias.

quinta-feira, 4 de março de 2010

O carro quebrou

O carro quebrou no fim da madrugada, a ajuda demorou pra chegar, pra ser mais exato chegou só no fim da manhã, e no meio desse percurso eu percebi falhas no companhia de engenharia e trafego, já que demoraram duas horas para chegar no local. Percebi a propina cobrada, já que o guincho foi o olho da cara e o dono do caminhão me confirmou que pagou trinta reais para o marronzinho e ainda percebi a gentileza do motorista, que me fez um desconto de vinte reais.
Ainda faltava lidar com o mecânico, pessoa nada fácil, você tem que chegar com o peito estufado, dizendo que sabe o que está errado, e ele com toda sua destreza de mecânico te mostra que não é pau é pedra. Você desmancha o peito, faz cara de choro sem ele perceber, engole as lágrimas e discorda um pouco, concorda um outro pouco. Não ele não vai te dar nota fiscal, ele não paga tanto imposto quanto deveria, ele é esperto, ele é mecânico. Certo, ele conseguiu deixar funcionando, deu a desculpa da gasolina adulterada. Raios, onde já se viu São Paulo com gasolina pura?
Estou com trauma da estrada, não dá estrada em si, de ficar parado com um monte de ferro em forma de Palio atrapalhando os outros, mas vou lá, sou brasileiro. Olha, e não é que está funcionando, mas ainda escuto um barulho estranho, não há de ser nada.
Bairros, quarteirões, shopping, a madrugada é de novo a minha amiga. Eu só preciso abastecer, saco vazio não para em pé e carro vazio não desliza pelo asfalto. Melhor ir por cima para passar no posto logo, mas por baixo é mais fácil, tem aquele posto da mesma marca, confiável, acho que dá tempo de chegar até lá.
Ah não, agora não, por aqui não, o carro parou bem na frente da favela, o coração palpitou, quer dizer, a consciência quase me crucificou como quem diz: Eu disse! Eu avisei, agora deixa o carro aí, vai andar a pé 4 quarteirões inteiros, perto da favela onde policiais são famosos por seus crimes, vai lá no posto da maior distribuidora do país, aquele que você queria boicotar porque suspeita corrupção, aproveita e reza um pouco pra que nada te aconteça na calada da noite.
Depois de 3 litros de gasolina ADITIVADA, como se tivesse uma enorme diferença das outras, uma cena de policiais enquadrando dois motoqueiros, pessoas estranhas na rua e o calor depois de andar 4 quarteirões inteiros, o carro voltou a andar, mesmo depois de derramar quase 1 litro na pintura e no chão, é culpa do desespero.
Direto pro posto colocar mais combustível, não falha, não falha, de novo não.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

carta para o amigo 2.

Sinto saudades, mas estou feliz com a distância, já estava cego, sem perspectiva, precisa me esquivar um pouco, ouvir outras vozes, ficar mais em silêncio. A minha falta de paciência vem ficando mais curta com o passar do tempo, na verdade sinto falta de uma mudança brusca, entendes? Um choque, como os térmicos, que são extremistas. Choque cultural eu tenho todos os dias. Definitivamente eu preciso conviver com mais pessoas, e o tempo vai começar a ser mais rotativo, parece que ando apertando o play mais vezes para a intensidade me freqüentar. Chega de pensar, hora de agir, agora!
Mas eu dizia das saudades, saudade de quando falávamos de política com esperança, com o passar do tempo esse sentimento virou reclamação, acomodação, depois que o prazer ficou caro e esquecíamos da essência do prazer, passamos a lembrar dessa essência em relapsos de tempo, e agora para senti-la novamente eu vejo outros olhos. Como é difícil encontrar olhos como os teus, como os teus jamais existirão, mas compreenda o que digo, a sincronia que você sabe o que eu sei, é rara nos olhos humanos, os olhos não se deixam aprofundar hoje em dia, são superficiais, muito ocupados.
Falávamos do Rio Tiête despoluído, imagina as árvores, o gramado, as crianças nadando, a cidade é a nova veneza do mundo, São Paulo amadureceu definitivamente, e agora é uma cidade charmosa e voraz, como sempre foi. Devaneios.
Os meus sonhos e caprichos preciso vendê-los para quem não os conheça, quem vai me mimar? Alguém que olhe a minha aparência e opine o certo. Me deixe congruente.
Eu vinha falar de saudades, das tuas sábias palavras, analogias, gírias e sotaques e mais uma vez o meu ego quase que atrapalhou. Quero te contar como eu vejo o mundo daqui, só que tem que ser de uma forma bem bonita, como você jamais sentiu vindo de mim.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O domingo depois do pesadelo.

Olha, a semana começou de um jeito meio estranho, tudo tá ficando rápido demais, é fevereiro e ainda me recordo de dezembro, a semana passou e eu nem lembro tudo que fiz, vai entender.
Apesar da maldade estar presente, é engraçado tirar proveito dela, porque senão for assim, como vai ser? A mentira, o mal humor, e todos os sentimentos dessa família de sentimentos ruins, te pegam de surpresa, é ai que vem a hora de aprender, dissipar essa coisa ruim que existe e nem sabemos o que é e porque vem.
Ontem sonhei um pesadelo, colocava um monte de plástico na boca, quer dizer, não sei bem se era plástico, mas era algo não comestível, situação completa e incrívelmente estranha, quando eu comecei a tirar essas coisas da boca, vieram pedaços de dente, fui correndo ao dentista, lá todos os dentes começavam a cair... risos. Melhor rir do que chorar com um sonho desses! Perguntei pro google o que significava, um povo diz que é morte, outros impotência sexual e outros prejú financeiro! Por Deus, pela chama violeta de Saint Germain, todos os santos e energias da terra, uma coisa mais pior que a outra, imagina se for uma premonição mesmo, pior, imagina se vem os três juntos, tô fudido!
Acordei pensando nisso, mas hoje o domingo foi tranquilo, tranquilo até demais, não teve macarronada, mas descansei do estresse da semana toda, reabasteci as energias no meu casulo, na minha goma, conversei com uma amiga que está em fortaleza, ela comentou sobre os corpos desnudos das praias, os bombeiros gostosões e os policias com carro importado, ela também falou de uma tartaruga gigantesca que estava na praia morta, talvez meus dentes, no sonho, foram para ela tadinha, no começo da noite dei uma volta com um colega que quase não vejo, tomei uma cerveja Bohemia, comi pra caramba, besteira na rua, quase entrei na balada do momento, pelo menos do meu momento, mas desistimos na última hora, amanhã é segunda-feira, dia de recomeçar, como se o domingo também não fosse dia de recomeçar.
Bora aprender mais um pouco, escutar as notícias do dia, as tragédias da semana, as novidades musicais, apreciar a lua de amanhã a noite, reclamar do sol do pico da tarde, rezar, comer e amar, como diz uma escritora dessas aí que eu quero ler.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Inexplicável até ficar velho.

Eu vim dizer boa noite, e que a saudade está aqui ao meu lado, ela me conta do passado com flashes de memória, diz também que te adora. Sei que precisa de mim, pra te acalmar e te levar, quero que saibas que sou muito mais que isso, que estou aqui pra ver o seu sorriso, se é que me entende, sou bem paciente e divertido, não te quero só pra isso, você dá risada, diz que pensou em mim de madrugada, está longe, com a família, quer mostrar que está bem, eu acredito que sim, você é assim. Quando chegar vamos pegar uma manhazinha, quem sabe sábado ou domingo sem chuvinha, pode ser molhado também, tudo é válido, eu só não sei porque, quero você tão bem quanto eu. Que delícia você estar longe, aproveita o teu silêncio, escuta ele por mim, porque aqui o samba come forte, como se fosse carnaval, eu que desprezava essa festa da alegria nos quatro dias de mídia, agora venço ela o ano inteiro, e agradeço. Agora tudo é diferente, a tua visita, o meu novo, eu adoro o hoje, e todo o diferente, todo o novo eu amo, penso depois, se tiver que odiar, odeio depois. Quando você retorna? Quando precisar eu sei, você quer o seu lugar, e eu penso em você, só não sei porque só fico em pensamentos, talvez tenha que ser assim, é bom assim, a idéia é linda, sem erros. Me avise quando voltar, pois o concreto é mais belo que o belo. É inexplicável até ficar velho. Avise quando voltar, vamos sair, tomar algo, é sempre muito bom, até ficar fora do tom, quem sabe não ficará.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

carta para o amigo.

É tão bom te ver, eu preciso te contar que um dia desses, a pouco tempo atrás, aconteceu de me enxergar, perceber o que estava acontecendo ao meu redor, e tudo isso em tempo de duvidar se era aquilo mesmo que eu estava olhando e analisando ou era apenas ilusão, dizem que quem está de fora enxerga melhor, foi assim que me senti, por cima. As minhas atitudes eram encaixadas e pontuais, sempre que me equivocava, o que é de fato normal no ser aqui, aprendia com destreza e ovacionava com alegrias.
Muita sorte eu penso, e tristeza também, por pensar nos outros. É tão arrogante pensar que neste mundo existem pessoas que acreditam não ter sua sorte? Me diz. Me sinto culpado por isso, mas é real. E se a imaginação pode transformar o sonho na matéria-prima da criatividade, é possível que tudo dê certo no final. Tudo se resolve né? Já dizia a matemática.
Eu tive que decidir, e foi nessa hora que eu me vi, procurando a diplomacia que vive em mim e praticando o desapego, sempre almejando a tranqüilidade do minuto seguinte com jogo de cintura digno de mulata e sorriso no rosto alá felicidade instantânea.
A aparência é tão importante que já não me importa mais, vontade de ver tudo logo de uma vez, mas sei que não tem graça, o sono te faz esquecer das coisas, tudo a seu tempo, que seja depois do meio dia. Mas hoje li que andar para trás é exercício para o cérebro, ativa a memória sabia? Eu não sabia, mas agora sei, não me espanta, porque entra ano e sai ano, eu acabo a ficar cada vez mais impressionado conosco, (adoro sotaque português, acho engraçado) como somos oportunistas, e os caminhos para tal são extremamente ótimos para nos entreter e divertir, depende do seu e da sua sorte.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O espelho beijado

Hoje no meio de uma conversa sobre beijo eu lembrei das minhas primeiras beiçadas e ri bastante, jamais vou esquecer daquele começo de noite, depois de um banho quentinho, eu me trocando no quarto, com a janela aberta, de pé em cima da cama, me vi num momento envolvente, eu e o espelho, beijei aquele objeto criado pela vaidade como se fosse uma pessoa, como se fosse eu mesmo. E virava a cabeça de um lado pro outro, era tudo muito suave, lembro que a brincadeira tinha começado no braço, depois necessitei de algo mais, parti pra uma imagem, o constrangedor foi ver uma pessoa passando pela janela, ver a cena e sair dando risada. Não consigo me lembrar quem passou, só sei que nada deu para esconder, era exatamente aquilo que ela viu, um menino beijando um espelho como se fosse sua namorada.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Quase amor

Surpreendente! Sabe aquela pessoa que você bate o olho e gosta na hora e pensa: é com ela que eu quero casar, ter filhos, lavar e passar se precisar... sabe? Pois é, ela era assim, perfeita assim, naquela minha utopia de minutos, passei e bati o olho esquecendo de onde estava, o propósito e finalidade, só era ela e eu a um passo de uma nova história de amor que nasceria na mãe terra, quando de repente ela me vem e estraga tudo com aquele sorriso e jeito imponente, vulgarizada pela pose. Logo perguntei: é puta? E meu amigo na hora respondeu: quase certeza.

terça-feira, 30 de junho de 2009

O sono de terça, comum.

O sono me perseguiu hoje, levantei depois de lutar duas horas e meia contra minhas responsabilidades, elas venceram, claro que eu deixei que ganhassem.
Deixo cair água quente no corpo pra ver se disperto logo de uma vez, quase esqueço que a minha pele não gosta. A coragem de tomar banho com água gelada ainda não bateu na porta da minha consciência, quem sabe no próximo verão, prometo tentar pelo menos uma vez por semana, dizem que estimula o cerébro e eu adoro me sentir mais inteligente, mesmo que seja tremendo e enrrugado debaixo de água fria. Enquanto eu quase dormia no chuveiro minha mãe me gritava para conferir se eu já estava de pé.
Me visto correndo, saio organizando as coisas pela casa e na cabeça, junto o que preciso para seguir o dia. Hoje não está tão frio, o sol está quentinho, estamos no inverno.
O trânsito é igual, lento, veloz, lento novamente, mas a música acompanha e deixa tudo com outro tom, melhora o ambiente, meus berros desafinados não podem ser ouvidos do lado de fora, para sorte dos transeuntes e minha também, a falta de técnica me enche de vergonha.
Essa claridade do dia me dá sono, já disse que preciso de um óculos escuro, mas tem que ser de marca, afinal não quero prejudicar minhas preciosas retinas e além do mais, se for pra gastar dinheiro que seja com algo que valha a pena.
Cheguei pra rotina de redator, ainda estamos na terça e dá pra notar, pela cara de bunda e constante reclamação, que as pessoas já se esqueceram de como foi o seu último sábado e domingo, isso porque não veêm a hora do próximo fim de semana, vai entender.
Arrôgancia logo no início do dia desestimula qualquer um, pensa num sujeito que já tava com sono e tem que escutar barbaridades, é pra chutar o pau da barraca, mas claro que não fiz isso.
Nem quero entrar em detalhes, melhor passar para a próxima etapa que é bem comum, aquele famoso momento de pagar contas, que coisa cruel, entrar dentro do shopping, passar por dezenas de lojas e não comprar nada, pior, gastar dinheiro e não levar nada, mas sabe que isso faz parte da vida? Nem ligo. Desapego, tô praticando. Não tanto, calma, ainda quero ser rico.
A uma certa hora da noite meu sono já tinha passado, mas o estresse tava presente, perdi meu lazer das terças a noite por motivos óbvios: responsabilidade. Pra falar a verdade, não tive culhão pra assumir minhas vontades, depois de um dia cansativo como esse eu tive que ceder e deixar minha aula de violão pra lá. Praticarei em casa. Na próxima não falto nem a pau.
Não lembro de uma terça-feira que tenha sido tão desafiadora quanto esta, eu adoro as terças, acho um dia tão neutro, produtivo, específico. O problema é que tudo parecia querer ir de encontro, as coisas comuns do dia-a-dia estavam com um tom sarcástico da vida. Eu só quis que tudo se resolvesse e tentei fazer parte ao máximo dessa resolução, mesmo cansado, com sono.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Rappa no Distância do Alto da Serra

Eu tinha prometido que iria, vinte dias antes prometi pra mim mesmo e para os meus amigos que eu iria. Se tivesse prometido só pra mim talvez não tivesse ido.
Fui, juntei uma grana e fui pro show do Rappa com 4 amigos. Pra variar aconteceram vários imprevistos que nos atrasaram. Acabamos pegando um puta trânsito. Aquela estradinha velha de santos não comporta uma grande quantidade de carros. O show fez formar um congestionamento de mais de 1 hora pra chegar no "Distância do Alto da Serra". Chegando lá, as vagas no estacionamento estavam esgotadas. Tinha uns franelinhas querendo que eu estacionasse na rua. Meus amigos me falaram que tinha outro estacionamento mais pra frente. Preferi seguir o conselho deles. Mesmo tendo que andar bastante pra entrar no Estância. Tinha muita gente para o lado de fora. Bebendo. Comendo churrasquinho de gato, dogs quentes e etc. Comecei a escutar uma música conhecida. E disse: - Já começou. Eram quase 2 da manhã. O show já tinha começado mesmo.
Entramos andando rápido, com pressa. Descemos as escadas e nos deparamos com um mar de gente. Nunca tinha visto nenhum show lá. O Palco estava bem montado. O telão. O Cenário. "Os caras vieram mesmo ganhar dinheiro" - eu pensei. Eu gosto bastante dO Rappa. Mas sinceramente não estava entendendo as mensagens das músicas. A melodia me envolvia sem dúvidas, mas estava começando a ficar irritado por não estar entendendo boa parte das letras. Turne de CD novo, e eu só tinha ouvido as músicas comerciais do rádio. Aliás, duas músicas. Eles tocaram outras bem conhecidas, foram as melhores partes do show.
O público estava curtindo bastante também, deu pra perceber. Eram vários tipos de pessoas, muitas tribos diferentes. De Patricinhas a maconheiros. Isso era o mais legal. Quando a banda fala que queria misturar tudo pra ver no que vai dar, realmente estavam certos. Não vi nenhuma briga. Só curtição. O Falcão pediu para entregarem uma água para alguém que estava passando mal lá na frente. Ele parece ser muito humano. Pode ser só marketing pessoal. Não sei. Estavamos no meio da pista e estava começando a ficar cansado e o show continuava. O Falcão tava curtindo cantar pra gente, foram quase 3 horas de show. Como o cara não cansa de ficar se esguelando e pulando daquele jeito? Eu também não me cansaria se estivesse lá em cima. O show acabou. A maioria da galera estava indo embora, assim como a gente. Saimos da casa e paramos numa barraquinha pra forrar o estômago. O lanche não era lá essas coisas, o atendimento também não, mas era o que tinha naquele momento. Comemos com medo e fomos para o estacionamento. Pegamos a anchieta sentido São Paulo e voltamos pra casa. No dia seguinte fiquei sabendo que minha irmã e uma amiga estavam no mesmo show. Que coincidência estranha, eu pensei. Minha irmã no mesmo lugar que eu, com uma galera diferente da minha. Isso é estranho e legal ao mesmo tempo. Refleti sobre os rumos e caminhos que seguimos. Duas pessoas da mesma família que andam com pessoas diferentes, mas gostam de um mesmo tipo de música. Básico e real. Se parar pra pensar que o show estava planejado a pelo menos 20 dias. Começa a ficar surreal e complicado. Preciso conversar mais com minhas irmãs!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Restaurante tem fila de espera de 1 ano.

É meus amigos parece brincadeira, mas é real.
Existe mesmo um restaurante que deixa os clientes esperando durante 1 ano inteiro para apreciar a sua famosa culinária.
Estou falando do El Bulli (os budogues em português), um restaurante que fica em Genora, na Espanha. Lá só se serve jantar e nos meses de maio a setembro, o período do verão europeu.
De outubro a abril, o cocinero da casa, Ferran Adrià, busca inovações gastronômicas mundo afora para apresentar aos seus ansiosos clientes.

Admirável! Fiquei morrendo de raiva por ter que esperar por quase duas horas para sentar numa mesa do Aoyama, um japonês ali da Vila Boim, imagine 1 ano inteiro!
Não tinha noção dessa espera nos restaurante de alta gastronomia e ainda não tenho noção de quanto custa um jantar no El Bulli, só sei que deve valer a pena. O cara, o tal de Ferran, utiliza calor e frio extremo para fazer seus pratos, não chega a ser gastronomia molecular, mas tem muito de ciência sim, e deve ser uma delícia.

Comidinhas doidas, só pra quem curte o novo mesmo. Olha esses biscoitos de tomate:

É aquele típico restaurante que o jantar é um petisco e a conta vem bem gorda. Mas pelo que eu pesquisei, em cada jantar são aproximadamente 25 tipos de prato, e dura em média 3 horas.
Pelo menos não se deve sair com fome.

Veja matéria interessante sobre o evento Jantar do Século e mais informações sobre o El Bulli e Ferran Adrià, considerado o melhor chef do mundo, na Go'Where Gastronomia.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Madrinha um pouco adiantada

E lá estava ela bem preparada, com a maquiagem ok, os cabelos mais que ok, depois de horas no salão, e vestido impecável. Era a primeira vez que seria madrinha de um casamento, nada poderia dar errado, checou a aparência no espelho mais duas ou três vezes antes de sair de casa. Pediu para o pai levá-la até a igreja que ficava numa cidade não muito distante da sua. A ansiedade lhe tomava conta a cada quilometro rodado. Ao chegar no santo lugar, o pai rapidamente a deixou e logo, depois de combinar um horário para buscá-la, voltou para casa. O casório estava lindo, a decoração de primeira, não imaginava que seria tão sofisticado assim, a cada passo que dava, procurava pelos amigos para cumprimentá-los, mas não encontrava ninguém conhecido, era muita gente, talvez não tivessem chegado ainda. Procurou o seu lugar de madrinha junto ao altar, percebeu que o noivo já estava presente, começou a sentir uma estranheza, se aproximou do noivo, quando percebeu que não era o futuro marido de sua amiga, perguntou: quem é você? E como era de se esperar ele respondeu: Eu sou o noivo e você? Ela convicta respondeu que era a madrinha da noiva, ele retrucou dizendo que não lembrava de tê-la conhecido. Ela sem entender, disse que era amiga da Gabriela há muitos anos. Mas minha noiva se chama Helena – ele disse, será que não está no lugar errado? Não era possível, ela estava certa que era ali. Saiu desolada e perguntou a um taxista o nome da igreja. Ele confirmou. Tinha esquecido o convite no carro do pai, não hesitou em ligar para reconfirmar o nome da igreja e seu endereço. E realmente estava correta, quando de repente ao ler o convite por inteiro, ele informou a filha com seu espírito esportivo: Meu bem, você está 24 horas adiantada, quer que o pai leve um cobertor? Ela furiosa pediu para ele voltar para buscá-la imediatamente. Quando caiu em si, só se preocupava com o cabelo e a maquiagem que teriam quer ser refeitos.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O dia da embreagem

Mecânica é triste, a engenhoca quando está nos trinques facilita nossas vidas, mas quando não funciona, ai sim dá vontade de chorar.
Pois bem, estava eu, voltando de São Roque para a Capital Paulista, num domingo qualquer, quando comecei a sentir a tal embreagem um pouco temperamental, o pedal muito duro dificultava a entrada da marcha, e com desespero, eu forçava até conseguir engatar, tudo isso começou no início da viagem, ou seja, sofrimento ao longo dos próximos 60 quilômetros.
Fazendo careta, consegui chegar até a quarta marcha, e decidi seguir assim até onde dava para não forçar o disco, coitado, que já estava falecendo.
Dirigir é um ato tão mecânico que depois de uma porção de minutos esqueci que a bonita da embreagem tava com frescura, e lá fui eu mexer com quem tava quieta, para engatar a 5ª. Não teve jeito, o sufoco voltou, e foi mais um Deus nos acuda pra engatar a marcha, mas acabou entrando.
Segui a Raposo Tavares inteira nessa situação, rezando em vão para que não tivesse muito trânsito na entrada de São Paulo, chegando no Butantã, não deu outra, aquele mar de luzes vermelhas acesas na minha frente quase me fez entrar em desespero de novo. Pensei: Caramba! Por que vocês não estão nas suas casas assistindo Fantástico!?
A dona embreagem continuava cada vez mais dura, e prevendo a situação, já me sentia notícia das rádios que comunicam sobre o trânsito: "Carro quebrado ajuda a aumentar congestionamento da Capital". Nunca me concentrei tanto para dirigir como nesse dia, levei algumas buzinadas na orelha diante dos faróis, que a cada sinal verde, me via numa epopéia para colocar a 1ª, consegui chegar em casa antes do carro quebrar definitivamente. A parte boa disso tudo foi fazer algumas pessoas rirem com as minhas caretas tentando engatar a marcha na embreagem naquele domingo com trânsito estressante