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quarta-feira, 29 de agosto de 2018
O prazer e a dor da rotina
Me peguei pensando em você, sem mais nem menos. Agora lembro, foi um sinal na rua que me fez lembrar de você. Ando tão esquecido dos meus pensamentos, só lembro de trabalho e me dedico a rotina. Quando você aparece, as coisas ficam mais intimas, me lembro de quem eu sou. Sabe, a rotina é prazeirosa, mas dói. Prazer e dor, combinam? Há quem diga que sim. Quando a Elis canta o Canto de Ossanha, ela afirma que "amor é bom se doer". Ela só pode estar certa. Ela é Elis. Mas que tipo de dor é essa? Dor na alma? Mental? Física? A dor que sinto enquanto estou imerso no prazer da rotina. É a dor de me esconder enquanto estou acomodado. A dor de me silenciar enquanto concedo. A dor de permitir quando discordo. Bom, chega de ser permissivo. Deixa eu esquecer e voltar para a rotina, prazeirosa e dolorosa.
sábado, 25 de abril de 2015
Solidão pode entrar
A solidão me persegue, longe de mim fugir desse momento. Quero que ela
invada minha alma e mostre os caminhos do meu eu desconhecido. A solidão notívaga, bateu, insone e sem mandar SMS, fugiu dos padrões contemporâneos, chegou sem ser chamada, sem avisar. Em meio as vontades que minha mente escondia no travesseiro, eu contorcia, meu corpo desconfortável na cama de solteiro rolava de um lado para o outro tentando entender os caminhos da vida. Assim ela chegou, silenciosa, imune e sensata. Solitude minha, que alimenta meu ser e faz possível o encontro daquele esquecido intimo e verdadeiro. Em meio a tantos pensamentos superficiais, preocupações e fantasias, você mantém sua conduta, me faz delirar e por alma a fora um pouco de mim. Foi um prazer tê-la mais uma vez, volte sempre.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Los Hermanos no Alivio da Dor
Um coração machucado encontra acalento nas letras e melodia de Los Hermanos, eu sei. Já testei. "Canta que é de canto que eu vou chegar, canta e toca um tanto que é pra me encontrar, canta para mim qualquer coisa assim sobre você."Casa Pré-fabricada por exemplo espreme o coração, faz sair toda a dor, lágrima e sangue da ferida. Te faz lembrar que há amor, mesmo que o mesmo tenha fugido de ti, te faz criar esperança de criar um novo sentimento, assim tão lindo e puro quanto estas canções.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Oi, sou eu. Como você tá?
Eu só queria saber como você está. Eu sei que esse horário você costuma ficar sozinha, então eu resolvi ligar. Faz tempo que a gente não se fala, não conversa. Ficamos no: "tudo bem graças a Deus" para não preocupar um ao outro. Mas quero que você saiba que estou sentindo sua falta, sentindo falta daquelas conversas sinceras. Bom, nem me lembro quando foi a última que tivemos, e chego a duvidar se um dia tivemos tal conversa sincera. Faz tempo que não te vejo, será que todo esse ano longe me fez mudar tanto a ponto de não lembrar de nossas conversas? Será que mudei meus sonhos? Ou será que os realizei. Sabe, eu costumava fazer promessas, mas um dia eu percebi que acabava esquecendo-as. Tão pouco me lembrava o que havia prometido e qual era o meu objetivo. Cheguei a parar de tomar refrigente e comer balas de maça-verde em troca de algo. Isso há 15 anos atrás. As balas parei de vez, deixei para degusta-las ao acaso. Mas o refrigerente ainda me persegue. Você sabe, coca é viciante, não tem jeito. E você, como anda? Tem feito algo diferente? Eu sei que a rotina é fogo, e que o importante é ter saúde, mas e os seus sonhos, você tem sonhado? Quais são seus planos para o futuro? Eu deveria te perguntar mais sobre isso. Ao menos nos faz pensar. Sabe, tenho prestado bastante atenção na relação dos outros e isso me faz lembrar da nossa. Desejo ter degustado mais o nosso tempo juntos, ter falado mais, perguntando mais, escutado mais. Ainda tem tempo. Bom, aqui é super confortável, me adaptei muito bem, mas estou longe de você(s) e isso me faz refletir e questionar o que é o conforto. Tenho trabalhado bastante de graça, voluntário. Me faz feliz, me faz sentir útil. Eu sei, não traz comida pra mesa, mas fazer o que. Estou pensando no networking, sabe? Contatos. Mas apesar disso, me sinto bem feliz fazendo o que estou fazendo. Sabe, as vezes sou difícil de entender, de me fazer entender. Esse é o meu maior desafio. Acho que é o desafio de todo o mundo na verdade. As vezes desejo fazer terapia. Falar e falar pra alguém, buscando uma cura. Cura da ansiedade. Se é que existe uma cura. Escrever para você sacia um pouco. Tenho certeza que ao te abraçar vai aliviar bastante. Bom, eu preciso ir. Boa semana, fica com Deus. Te amo.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Trabalho no Verão
A voz da música demorou a surgir, os instrumentos sincronizados preenchiam o silêncio. Enquanto o bafo do verão fabricava meu suor. Fecha a janela, liga o ar. E o ar gelado começou a entrar, sintetizando a natureza. A réstia que entra pela persiana me faz lembrar das aventuras do verão, das praias e das piscinas. Mas hoje é dia de computador e ar condicionado. Sair lá fora é perigoso, o sol mata, o protetor solar protege, mas a química mata, a poluição mata, e não trabalhar também mata.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Paciência por volta das 5
Lúdica é a paciência que deixa de esperar o chá tradicional, às 5, com os amigos, pra poder tomar chocolate quente e ver uma paixão de óculos escuros passar na esquina. Entre o chá e o chocolate, o amor passa. Lá onde todos passam com pressa demais para esperar, olhar. Sentam impacientes sem poder reclamar, porque depende deles, assim se faz. Chegar até aqui e esperar. Mesmo assim reclama, mas confirma. O resto vem com paciência. Aquela que jura de pé juntos que o momento é esse, o agora. A hora de se deliciar sem pressa com a companhia do chá. Sem ouvidos. Mesmo que o futuro bata na porta da ansiedade, de segundo e segundo. Diz que o chocolate vai esfriar. O superficial se ouve. Enquanto se espera impaciente, ele passou, com olhar plastificado. Nem se pode reconhecer, nem se deu conta. A ansiedade para mudar a indecisão entre o chá e o chocolate, te desapercebeu e assim amor passa despercebido enquanto a lactose fica.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Nunca ouvi falar e agora vejo todo dia
É louco perceber como as coisas aparecem na nossa vida, eu quero dizer, como ficamos sabendo, como conhecemos coisas, pessoas, lugares. Essa é a história do nunca ouvi falar e agora vejo todo dia. É como acordar. É como perceber que não somos mais crianças.Um belo dia você acorda cedo de manhã com os olhos inchados, é obrigado a levantar-se e se dá conta que você foi uma criança, essa nostalgia começa a aparecer quando nos damos conta de que não tínhamos tantas responsabilidades, coisa que nunca ouvi falar quando era criança agora ouço todo dia.Um outro belo dia você percebe que está num lugar que você somente ouviu falar, ou só ouve falar de um lugar que você nunca ouviu falar. Isso aconteceu comigo uma vez, nunca ouvi falar de uma cidade chamada Guararema, no estado de São Paulo, e em um dia sortido conheci uma pessoa de lá por acaso na saída da balada. Um rapaz bonito, semi-interessante, pra não dizer só bonito. Foi então que no meio da conversa, perguntei onde ele morava, normal em qualquer lugar do mundo ter essa curiosidade, dessa forma você fica sabendo muita da vida da pessoa. "Eu moro em Guararema" - Ele disse. Na hora eu rebati: onde fica "isso"? (Isso!? Sim eu falei assim, eu chamei a cidade do menino de isso. Como eu fui indelicado) Ele falou, perto de Perus, (Do que ele tá falando? - Eu pensei, nem parecia que estávamos na mesma cidade.) Ele explicou através das linhas do trem, dessa forma consegui entender mais ou menos. A conversa com ele se resumiu em me localizar onde ele morava. Depois disso ele foi para um lado e eu fui para o outro, nunca mais vi esse menino. Mas ele marcou a minha vida com a palavra Guararema. Anos mais tarde ouvi muito sobre essa cidade, vi em telejornais, li em revistas, e até o pai de uma amiga sofreu um acidente fatal na maldita Guararema, infelizmente. O que tudo isso quer dizer? Se um belo dia eu conhecer alguém que me disser que mora em uma cidade que eu nunca ouvi falar alguém vai morrer? Não. Espero que não. Isso tudo é só para ilustrar o quanto a vida é engraçada, o esforço que o universo faz para te apresentar algo. Uma palavra que você não sabia que existia aparece na sua frente diversas vezes, uma pessoa que você nunca viu no seu bairro de repente cruza com você todos os dias, ou aquela música antiga que você nem sabia que existia, começa a tocar sempre que você vai em algum lugar. A vida nos mostra novas coisas todos os dias, basta a gente querer percebe-las para incorpora-las.
quarta-feira, 28 de março de 2012
O ventou bateu
Estava sentado fumando, quando de repente, o vento penteou seus cabelos esvoaçados, ele insistiu em se esconder da corrente, como se estivesse ofendido, o vento bateu em sua mão e levou seu cigarro, limpando a fumaça daquele ar.
domingo, 27 de novembro de 2011
#poesiadeasfalto
#PoesiadeAsfalto é um projeto novo que experimenta e se inspira nos elementos urbanos do cotidiano. Fusão de fatos reais com ficção que vai de encontro a sentimentos intrínsecos em todos que vivem nas grandes cidades, mas são esquecidos devido ao grande excesso de informação que nos rodeia.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Pequenas observações e questões.
Diz um poeta por aí, que é melhor ser alegre que ser triste, mas outro diz que a tristeza faz um homem sonhar... Em quem acreditar? Há tenta música lá fora e a canção que vem de dentro? A inspiração, a luz é acesa em que momento? Se eu perguntar, jamais vou saber, talvez a vida seja isso mesmo, jamais saber de onde vem. Só deixar vir.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
tira ela daqui
Tira essa música daqui, que saco, fecha essa matraca, esconde esse gogó. Eu não quero ficar louco. Quanto tempo tem um curta, um longa, que seja? O tempo é contável? Jamais. Eu sei que quanto mais eu tiro, mais dentro fica, mas mesmo assim é importante saber, que a rotina pode ser doce, sempre que colocamos tempero nela, e quantos tipos de tempero existem para provar? Infinitos. A rotina pode ser inovadora, compreende. Não vem me encher o saco, vem agregar valor, vem ser coisa nova, vem se enturmar, não vem causar, não vem causar, tira essa música daqui. Ela é linda demais para eu escutar. Por isso eu posso enjoar, tira ela daqui.
quinta-feira, 3 de março de 2011
No meio de tanta dúvida
É tanta coisa ruim pra se falar,
mas tanta coisa pra se sentir,
e no meio de tanta chuva,
e um coração quente,
o que parar para se fazer?
E no meio de tanta parada sem paciência,
o que fazer para não se perder?
E com tanto desperdício,
o que fazer para aprender a ser?
E no meio de tanta dúvida,
é sempre bom tentar,
é sempre bom agir,
é sempre bom viver,
é sempre bom estar,
é sempre bom te ver.
mas tanta coisa pra se sentir,
e no meio de tanta chuva,
e um coração quente,
o que parar para se fazer?
E no meio de tanta parada sem paciência,
o que fazer para não se perder?
E com tanto desperdício,
o que fazer para aprender a ser?
E no meio de tanta dúvida,
é sempre bom tentar,
é sempre bom agir,
é sempre bom viver,
é sempre bom estar,
é sempre bom te ver.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
começos acontecem
A velocidade com que a maioria das coisas ocorrem.
O infinito do humor que a madrugada promete.
A infância dessa noite rendeu.
O sol rendeu suas cores para servir.
A força quando acaba chama o técnico.
O rumor da ilusão mandou buscar depressa.
A diversa sorte de azares.
O agradável supor do futuro.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
essa gente chata
quanta gente chique, quanta fama invisível
quanto pudor descarado, quanta empatia sofrida.
eu queria odiar tudo isso, eu faço parte disso tudo,
eu queria me rebelar diante disso, eu sou dessa laia.
o lado bom dessa gente, dessa gorda gente,
desse ego imenso, dessa fonte elegante,
desse olhar único, desse fazer repetido,
é estar em paz, sendo assim, o que é.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Aviso irônico
Não escreva o que está na sua mente, deixe para depois, aí sim você vai aprender que jamais pode protelar algo. A idéia simplesmente se esvai, escorrega pelos assuntos que você preenche na sua mente.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Dezembro e o Rio
Dezembro começou e toda essa violência e temática em cima da nossa cidade, sempre, maravilhosa Rio de Janeiro, só me deixa com mais vontade de morar lá.

O Rio sempre me chocou, toda essa falta de decência, o escárnio e a falta de gentileza do povo me fazia ter asco daquele pedaço de terra, e de certo modo ter preconceito daquela gente. Até o exato momento em que pus os pé ali.
Posso dizer que me sinto triste por não poder estar lá, a quantidade de vezes que gostaria, e mais, de não poder morar lá tão logo eu gostaria. O Rio é maravilhoso sabe por quê? Porque ele te inspira, a paisagem é fantástica, ninguém pode negar que não se encanta com aquelas curvas da mulher de montanha. Ninguém nega também o excesso de malandragem do povo, mas isso é cultural, nós sabemos, e valhamo-nos disso para aprender a ser um pouco mais espertos. O sotaque do carioca é um charme, nós paulistas e paulistanos que achamos não ter sotaque, quando na verdade temos todos os sotaques do mundo, temos um pouco de inveja da puxada de 'S' dos nossos amigos, moradores da antiga terra da coroa portuguesa. Diz as boas línguas que o sotaque deles é assim pela longa proximidade com o povo de Portugal. Histórias a parte.
Essa guerra cívil que acontece no Rio de um jeito ou de outro é bem publicitária, se espalha, o mundo inteiro quer saber os motivos disso estar acontecendo, motivo político é o que não falta, mas a burocracia esconde esses fatos. Por que uma terra tão contagiante se deixou degradar? Uma terra de onde saiu Cazuza com toda aquela poesia, e inúmeros outros artistas, alguma coisa mágica tem. Não acham?
Esse mês eu só quero que esse caos cause reflexão no nosso povo, que as pessoas cobrem seus direitos, seu lazer, sua cultura, que todos se lembrem o porque de tudo isso. Nesse mês de calor, quero que todo mundo aproveite a praia, sem medo da bala perdida, sei que é impossível, mas viva sem temer por pelo menos um instante, você vai viciar e vai continuar. Eu disse esse mês?Vou ampliar então. Que todos os meses sejam assim.
Essa foto inspirou este post:

Fotografado por: http://urbanoerbiste.blogspot.com/
domingo, 21 de novembro de 2010
Chave para o inconsciente
Eu sempre gostei mais da expressão pelo corpo, por achar que as palavras pudessem me trair, por ter certeza de que as ações e os gestos diriam muito mais do que qualquer argumento, com o tempo fui percebendo de que tudo que o corpo fala é sim sincero, de que todas as ações, são sim transparentes, por mais mentirosas que tentem ser, mas que são insuficientes para dizer tudo o que queremos dizer, e que por mais que seja consciente e que o que realmente interessa é a inconsciência, já que ela guarda o verdadeiro, ela é o lugar onde mora os sonhos, o lugar onde o emocional manda, o consciente é a chave para decifrar esse lugar complexo. E por isso escrevo, para encontrar as chaves, para aperfeiçoar a conexão entre esses dois lados, para tentar evoluir, para entender todas as coisas, ou boa parte delas, que já fazem parte de mim, mas permanecem adormecidas.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
O cara é casado
O cara é casado e de meia idade, vê fotos de mulheres lindas e mais jovens a quase todo momento, sabe falar bem de como são gostosas, parece sentir uma nostalgia nisso, parece desejar o proibido. Não que de fato seja proibido, é somente imoral. Não é de bom costume trair a esposa com jovens lindas, não pega bem. O problema está em se ocupar com isso, parece alimentar uma vontade, que uma hora ou outra terá de ser sanada para não ficar insano. Mas e o matrimônio como fica? Não fica, se vai. Pelo ralo sagrado. O santificado casamento representou só uma momentânea loucura do amor. Aquela certeza do sempre, que como sempre vira rotina, e o cotidiano é um ser difícil, precisar estar muito bem equilibrado, e decidido para ser parte de uma rotina. Ser feliz é ser novo, os jovens são inexperientes, eu digo de ser maduro e novo, pensar pelo avesso, andar em zig zag ou em linha reta se o seu normal é pra lá e pra cá. Olha, só sei que o cara é casado e de meia idade, é gente boa, mas vê mulheres lindas, gostosas e jovens a toda hora. Que mal há nisso? Eu não sei, só sei que se eu fosse sua esposa, se a história fosse comigo, sentiria ciúmes do desejo dele e tentaria entender onde é que não o preencho, onde fujo dos seus pensamentos, como faço para mudar tudo, ser melhor pra nós dois e ser diferente.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Se acabar recomeça
Quanto tempo é necessário para o fim chegar sem sentido?
Se a morte for de câncer, atropelamento, dormindo ou sorrindo.
Se antes de dormir você chorou ou comeu ou sentiu frio.
Quando é que a visão se torna mais esperta, mais letal?
A ponto de torcer o nariz com uma cena chocante.
A fim de tornar a dor impactante, o prazer sufocante.
Quase sempre é previsto tanto amor pra pouco vício?
Quer dizer, quando o amor é viciante, é importante ser sincero.
Quer saber, se é preciso acabar, melhor que seja sem notar.
Prever a chuva é fascinante, mas o sol depois é radiante.
Quanto vale um beijo antes do banho se verei você tão logo?
É que antes já foi, expotaneamente sem perceber.
É que é estranho, simultaneamente aconteceu.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Muita gente por aí
Faz vinte e poucos anos, desde que me conheço por gente, que sempre, vejo rostos diferentes, na rua em que sempre morei, nos lugares que sempre freqüentei, nas esquinas cansadas de me olhar, nos bares, nas escolas que estudei, em todos os momentos ordinários e extraordinários da minha vida, há todo santo dia, pelo menos um, rosto diferente, até na minha casa, vire e mexe tem uma visita estranha. Eu venho pensando nisso a algum tempo e ao andar no metrô lotado de São Paulo me deu vontade de por essa idéia pra fora em palavras. Tudo isso me faz pensar em biologia, matemática e criação, na quantidade de formatos possíveis, na quantidade de possibilidades, mutações, nas variáveis para que toda essa gente aconteça e torne a acontecer da forma mais peculiar que lhe competem. Isso me faz intrigado e fascinado, esteticamente as pessoas podem ser parecidas, mas dificilmente serão igualzinhas. Se for possível contarmos as características humanas e 'exponencialidade de variação' (?), digo, de cruzamento, chegará um dia em que a nossa imagem irá se repetir de alguma forma, de maneira rara. Os sósias são fenômenos dessa humilde lógica que me atrevi a desenvolver. Uma verdadeira explosão de diversidade. Quando isso irá acabar? A diversidade terá fim? Ou será infinito mesmo? Sim é infinito, sempre tivemos essa qualidade, de cada um ser um só. Apesar de pensarmos coletivamente, apesar da essência e do espírito se confundirem, a casca, a imagem do corpo que compartilhamos acaba sendo única, e se a nossa imagem é reflexo do que somos por dentro, cada um tem no seu eu-interior, algo tão único e necessário para compartilhar quanto possa, consiga, ou tenha habilidade de imaginar.
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